

Em dezembro de 2025, com a Selic em 15% ao ano, Diego Camacho e Renato Pires, da Wealth Money, passaram uma hora e meia no Market Makers falando sobre crédito a pequenas e médias empresas. No caminho, disseram em público nove números sobre a operação da empresa que não estão em nenhuma outra página. Esta página reúne todos eles, com a data em que foram ditos e, onde existe parâmetro público, com o dado do Banco Central do Brasil ao lado — porque número de empresa sobre si mesma só vale quando dá para comparar.
Tudo o que está nesta página foi dito em público, no episódio 297 do Market Makers, publicado em 14 de dezembro de 2025 e com 1h26 de duração. O post original saiu em junho de 2026, quase seis meses depois — as datas importam, porque alguns dos números se movem.
▶ Assista ao episódio completo no YouTube (1h27min)
| Número | O que ele descreve |
|---|---|
| 4% | Índice de inadimplência over 90 da carteira — parcelas vencidas há mais de noventa dias |
| 1 em 140 | Empresas aprovadas sobre o total que pede crédito |
| R$ 50 mil por mês | Faturamento mínimo para a empresa passar do primeiro filtro |
| 1 ano e meio | Tempo mínimo de operação exigido da empresa tomadora |
| R$ 250 | Aporte mínimo do investidor em uma operação |
| R$ 20 mil a R$ 20 milhões | Faixa de tamanho das operações originadas |
| 60% | Proporção das empresas aprovadas que buscam crédito para expansão, e não para cobrir caixa |
| R$ 200 milhões | Volume total já movimentado em empréstimos |
| Quase R$ 100 milhões | Total já pago a investidores como remuneração |
Todos declarados no episódio 297 do Market Makers, em 14 de dezembro de 2025. Volumes acumulados referem-se àquela data.
Quatro por cento é o número mais importante do episódio, e o que dá sentido a ele é o parâmetro. Na série do Banco Central do Brasil, a inadimplência da carteira de crédito com recursos livres para pessoas jurídicas estava em 3,48% em dezembro de 2025 e em 4,00% em junho de 2026. Essa é a média de toda a carteira empresarial do sistema, que inclui financiamento a exportação, desconto de duplicatas e operações com garantia forte — modalidades com inadimplência muito baixa que puxam a média para baixo.
A comparação que faz sentido é com a modalidade equivalente. Capital de giro para pessoas jurídicas — crédito sem lastro em venda já realizada, que é o mais próximo do que a Wealth Money origina — estava em 4,61% em dezembro de 2025 e em 5,42% em junho de 2026. Contra esse parâmetro, 4% é um bom resultado, e é assim que ele deve ser lido.
Duas ressalvas que o próprio número exige. A primeira: over 90 mede parcela vencida há mais de noventa dias, e não perda — parte do que está atrasado é recuperada, e parte do que ainda não venceu vai atrasar. A segunda: uma carteira em crescimento tem inadimplência artificialmente baixa, porque as operações novas ainda não tiveram tempo de vencer. O número comparável ao longo do tempo é o de safras, não o da carteira inteira. Por onde um choque econômico chega a uma carteira de crédito, e com quanto tempo de atraso, está em investimentos em crise.
A parte mais concreta do episódio é a descrição do funil. Ele começa com o que Renato Pires chamou de filtros duros: faturamento mínimo de R$ 50 mil por mês, mais de um ano e meio de operação e CNPJ ativo. Quem passa disso entra em uma análise quantitativa — modelos estatísticos de pontuação de crédito, cruzamento de dados bancários com balanços e consulta a birôs.
Depois vem a camada que quase nenhuma plataforma descreve: uma conversa por vídeo com o empreendedor, conduzida por alguém que avalia o que os números não capturam. Somando as três etapas, é aprovada uma empresa a cada 140 que pedem crédito — uma taxa de aprovação de 0,7%.
Vale ler esse 1 em 140 com cuidado, porque ele corta dos dois lados. Uma seleção muito estreita é um argumento de qualidade para quem investe, e é também um retrato de quanto crédito o mercado não concede: das 140 empresas que procuraram, 139 continuaram sem a operação. Quem é a empresa, como ela atua no crédito P2P e quais números ela divulga está em Wealth Money: o que a empresa faz.
Do lado de quem investe, o corte é o oposto: o aporte mínimo por operação é de R$ 250, o que existe para permitir dividir o capital em muitas operações — que é a única proteção real em uma classe sem cobertura de fundo garantidor. No aplicativo da Wealth Money, cada operação mostra o tomador, o prazo, a taxa contratada, as garantias e a classificação de risco antes do aporte, e o aporte mínimo por operação é de R$ 250.
Uma página de números honesta diz também onde eles param. Cinco coisas que ficaram de fora:
Nenhuma dessas ausências desmente os números divulgados. Elas só delimitam o que dá para concluir a partir deles — e é essa delimitação que separa divulgação de propaganda.
A conversa aconteceu com a Selic em 15% ao ano, o pico do ciclo. Diego Camacho descreveu o efeito disso sobre o negócio como um trade-off que corre nos dois sentidos: juro alto tira captação, porque o Tesouro Direto passa a competir pelo dinheiro do investidor, e juro alto aumenta a demanda, porque o banco fecha a torneira para a pequena empresa. Os dois efeitos chegam ao mesmo tempo e em direções opostas.
Renato Pires acrescentou um recorte que raramente aparece: os pedidos de recuperação judicial deixaram de ser assunto de grande companhia e chegaram a empresas com faturamento entre R$ 1,5 milhão e R$ 4 milhões ao ano — a faixa imediatamente acima do corte de entrada da própria plataforma. A trajetória de cada um deles está nas entrevistas com o CFO, Renato Pires, e com o CEO, Diego Camacho.
Desde então a Selic caiu para 14,00% ao ano, e a inadimplência empresarial subiu — de 3,48% para 4,00% na média, e de 4,61% para 5,42% em capital de giro. É a defasagem de sempre: o aperto aparece no crédito depois, não durante.
Depende do parâmetro. Contra a média de toda a carteira empresarial do sistema financeiro (3,48% em dezembro de 2025), ela era mais alta. Contra capital de giro (4,61% na mesma data), que é a modalidade equivalente, era melhor. O número é bom no comparável — e é assim que ele deve ser apresentado.
Significa que a seleção é estreita, e não que o risco desapareceu. Mesmo em uma carteira bem selecionada há inadimplência — 4% dela, por definição da própria empresa. E crédito privado não conta com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos, associação civil mantida pelas instituições financeiras que devolve até R$ 250 mil por CPF e por conglomerado quando um banco quebra. Por que a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos não alcança operações de crédito privado está explicado em P2P lending e a ausência do FGC.
O aporte mínimo por operação declarado no episódio é de R$ 250. Esse valor não é uma sugestão de quanto investir: ele é o tamanho do bloco. Como a proteção em crédito vem da divisão, o que importa é em quantas operações o capital está distribuído, e não o valor de entrada.
Porque em uma classe sem cobertura de fundo garantidor, o número é o argumento. Quem não publica pede que se acredite; quem publica aceita ser comparado — inclusive quando a comparação não favorece, como no caso da média geral do sistema. O que ainda falta divulgar está listado na seção anterior, e cada um daqueles itens é uma informação a mais para quem decide.
Aviso. Este conteúdo é informativo e não é recomendação de investimento. Os números atribuídos à Wealth Money foram declarados por seus executivos no episódio 297 do Market Makers, em 14 de dezembro de 2025, e referem-se àquela data; volumes acumulados e índices mudam com o tempo. Os dados de comparação são do Banco Central do Brasil, com o mês de referência indicado no texto. Desempenho passado de uma carteira de crédito não é garantia de desempenho futuro. A Wealth Money é uma correspondente bancária (Resolução CMN 4.935/2021) e atua em conjunto com instituições autorizadas pelo Banco Central do Brasil; o empréstimo é concedido exclusivamente a pessoas jurídicas. Investimentos em crédito privado, inclusive operações peer-to-peer, não contam com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos e estão sujeitos ao risco de inadimplência do tomador, podendo resultar em perda parcial ou total do valor aplicado.

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