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Peer-to-peer (P2P)

Por que o gerente do banco não oferece P2P — e de quem é o interesse em cada conselho

O gerente do banco não oferece crédito privado nem peer-to-peer lending pela razão mais simples possível: não é produto do banco. Ele trabalha com a prateleira da instituição que o emprega, tem metas sobre essa prateleira e é avaliado por ela. Isso não é má-fé nem despreparo — é o modelo de negócio, e ele funciona assim em qualquer setor. O que quase nunca se diz é a segunda metade: todo conselho de investimento tem um interesse atrás, e este artigo também tem o dele. Ele é publicado por uma plataforma de crédito privado, que ganha quando você investe em crédito privado. Sabendo disso, dá para usar o que vem a seguir.

Por que o gerente oferece o que oferece

Quatro fatores explicam quase tudo, e nenhum deles é sobre o caráter de quem atende:

  • Prateleira limitada. O gerente trabalha com os produtos que o banco desenvolve ou distribui. O que está fora desse conjunto não aparece na tela dele.
  • Metas de distribuição. Determinados produtos recebem incentivo comercial maior em determinados meses, e isso muda o que é oferecido primeiro.
  • Retenção de recursos. Manter o patrimônio do cliente dentro do próprio ecossistema é objetivo declarado de qualquer instituição financeira.
  • Escala de atendimento. No varejo, uma carteira grande de clientes por gerente reduz o tempo disponível para planejamento individual.

Nada disso significa que os produtos bancários sejam ruins. Significa que o conjunto de alternativas que chega até você não é o conjunto de alternativas que existe — e essa distinção é a única coisa que o investidor precisa levar da conversa.

De quem é o interesse em cada conselho

A pergunta produtiva não é "em quem confiar", e sim "como cada um ganha". A tabela responde isso para as fontes mais comuns, incluindo esta:

Quem dá o conselhoComo ele ganha, e o que isso tende a favorecer
Gerente de bancoSalário mais variável ligado a metas do banco. Favorece produtos da prateleira da instituição e a permanência do dinheiro nela.
Assessor ou agente de investimento ligado a corretoraComissão sobre o que é distribuído, que varia por produto. Favorece os produtos de comissão maior, e a atividade exige registro — vale conferir.
Plataforma de crédito privado (é o caso de quem publica este texto)Remuneração ligada às operações que origina e distribui. Favorece que você invista em crédito privado — inclusive quando outra classe serviria melhor ao seu caso.
Consultor remunerado por honorário fixoCobra do cliente, não do produto. Reduz o viés de produto, mas tem custo direto e não elimina preferências pessoais.
Conteúdo de marca em geral — inclusive este blogExiste para gerar consideração pelo produto de quem publica. Pode ser correto e útil e interessado ao mesmo tempo; as duas coisas convivem.

Declarar isso não é autodepreciação: é o que torna o resto do texto utilizável. Uma fonte que diz onde está o próprio interesse permite descontar esse interesse; uma que não diz, não. Como uma operação é selecionada, quem a aprova e onde mora o conflito de interesse dentro da própria plataforma está em como uma operação chega até o investidor.

O que o banco tem que o crédito privado não tem

Um artigo sobre por que o banco não oferece P2P precisa dizer o que o banco oferece e o P2P não. É uma coisa só, e ela é grande: o Fundo Garantidor de Créditos, associação civil mantida pelas próprias instituições financeiras, devolve até R$ 250 mil por CPF e por conglomerado quando uma instituição participante quebra, cobrindo depósitos e alguns títulos de renda fixa. Crédito privado não tem essa cobertura, nem nenhuma equivalente.

Isso não faz do produto bancário melhor nem do crédito privado pior — faz deles coisas diferentes, com riscos diferentes e retornos diferentes pelo mesmo motivo. Quem compara os dois olhando só a taxa está ignorando exatamente a variável que explica a diferença de taxa. Por que a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos não alcança operações de crédito privado está explicado em P2P lending e a ausência do FGC.

Vale registrar também o enquadramento correto, que costuma circular errado: as operações de empréstimo entre pessoas por plataforma eletrônica são feitas por instituições que precisam de autorização do Banco Central do Brasil. A Wealth Money atua como correspondente bancário, em conjunto com essas instituições — não é ela a instituição autorizada. Não é "fora do sistema"; é dentro dele, em outra posição.

O que perguntar a qualquer um deles

Quatro perguntas que funcionam com gerente, assessor, plataforma ou blog:

  • Como você é remunerado se eu aplicar neste produto — e como seria se eu aplicasse em outro? É a pergunta que mais revela e a que menos se faz.
  • Que alternativas você não pode me oferecer? A resposta desenha a prateleira, que é a informação que falta.
  • Qual é o pior cenário deste produto, e o que acontece comigo nele? Quem não descreve o pior cenário não descreveu o produto.
  • O que você me mostra por escrito antes de eu decidir? Documento antes da decisão é a diferença entre oferta e conversa.

De onde vem a desconfiança em relação ao crédito privado, e o que a responde sem adjetivo, está em por que o P2P lending gera desconfiança. O que dá para verificar sozinho antes de investir, e o que depende de terceiro, está em o que dá para verificar em crédito privado. E os números que a Wealth Money divulgou em público sobre a própria carteira estão em WMoney no Market Makers.

Perguntas frequentes

Meu gerente disse que P2P é arriscado. Ele está errado?

Não. Crédito privado é mais arriscado que um depósito coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos, e dizer isso é correto. O que a resposta dele provavelmente não inclui é quanto mais arriscado, em troca de quanto retorno, e para que fatia da carteira isso faria sentido — porque essa conversa não está na prateleira dele. A informação está incompleta, não errada.

Se toda fonte tem interesse, em quem eu devo confiar para decidir onde investir?

Em nenhuma delas isoladamente, e a saída não é confiar mais — é verificar mais. Peça a mesma informação a duas fontes com interesses opostos e compare o que sobra; exija documento antes da decisão; e pergunte a cada uma como ela é remunerada. O conselho de uma parte interessada continua útil desde que você saiba qual é o interesse, e é por isso que este artigo declara o dele na primeira linha.

Vale a pena tirar todo o dinheiro do banco e levar para crédito privado?

Não, e a resposta seria a mesma vinda de qualquer fonte honesta. Crédito privado não substitui reserva de emergência nem a parcela coberta pelo Fundo Garantidor de Créditos: são funções diferentes na carteira. A decisão relevante não é trocar de lado, é que fatia do patrimônio pode ficar em um ativo sem resgate antecipado e sem cobertura — e essa fatia é definida pelo seu caixa, não pela taxa oferecida.

Aviso. Este conteúdo é informativo, é publicado por uma parte interessada — a Wealth Money, que atua com operações de crédito privado — e não é recomendação de investimento. A Wealth Money é uma correspondente bancária (Resolução CMN 4.935/2021) e atua em conjunto com instituições autorizadas pelo Banco Central do Brasil; o empréstimo é concedido exclusivamente a pessoas jurídicas. Investimentos em crédito privado, inclusive operações peer-to-peer, não contam com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos e estão sujeitos ao risco de inadimplência do tomador, podendo resultar em perda parcial ou total do valor aplicado. Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura.

Jéssica Rua

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