P2P (CCB) ou SCP: entenda as diferenças

9 de fevereiro de 2026

Nos últimos anos, com juros elevados, aperto de crédito bancário e maior volatilidade nos mercados tradicionais, investidores brasileiros passaram a buscar alternativas fora do eixo bolsa–fundos–CDBs. Nesse movimento, duas estruturas ganharam destaque: o P2P (peer-to-peer lending), normalmente formalizado por Cédulas de Crédito Bancário (CCB), e as Sociedades em Conta de Participação (SCP). Apesar de, à primeira vista, ambas prometerem retornos elevados, elas funcionam de formas muito diferentes, especialmente quando o tema é risco, governança e segurança para o investidor.

O que é investimento P2P com CCB e como ele funciona na prática

No P2P, o investidor empresta diretamente para pessoas físicas ou jurídicas por meio de uma plataforma autorizada, com o crédito formalizado via CCB (Cédula de Crédito Bancário). A CCB é um título de crédito previsto em lei, com regras claras de cobrança, execução e cessão.

Na prática o investidor conhece:

  • quem é o tomador,
  • qual o prazo,
  • qual a taxa,
  • quais são as garantias (quando existem),
  • como funciona a inadimplência e a recuperação de crédito.

A plataforma atua como estruturadora, fazendo análise de risco, originação, formalização e acompanhamento do crédito, mas sem confundir o patrimônio da empresa com o do investidor. Esse modelo ganhou relevância justamente por atender à demanda por crédito fora do sistema bancário tradicional, mantendo rastreabilidade e padronização jurídica.

O que é uma SCP e por que ela também oferece retornos elevados

A Sociedades em Conta de Participação (SCP) é uma estrutura societária em que o investidor (sócio participante) aporta recursos em um projeto específico, enquanto o sócio ostensivo executa a operação em seu próprio nome. É comum em projetos imobiliários, operações estruturadas e negócios de prazo mais longo.

Os retornos costumam ser altos porque:

  • o capital fica exposto diretamente ao risco do negócio,
  • não há garantia de liquidez,
  • o investidor não tem ingerência operacional,
  • o sucesso depende integralmente da gestão do sócio ostensivo.

Em termos simples, o investidor não é credor; ele participa do risco empresarial. Isso significa que, se o projeto não performar como esperado, não há obrigação de pagamento nem título executivo para cobrança.

Por que P2P e SCP pagam mais do que investimentos tradicionais

Tanto P2P quanto SCP remuneram melhor porque operam fora do balanço dos bancos e da lógica de funding tradicional. Eles capturam um prêmio de risco que, nos bancos, fica diluído em spreads elevados e custos operacionais.

Esse diferencial de retorno decorre principalmente de três fatores:

  • menor intermediação financeira,
  • acesso direto à economia real,
  • risco assumido de forma explícita pelo investidor.

A diferença central não está no “quanto rende”, mas em como o risco é estruturado, documentado e mitigado.

Principais diferenças entre P2P (regulado por CCB) e SCP para o investidor

  1. Natureza jurídica do investimento
    No P2P, o investidor é credor, com um título de crédito formal. Na SCP, o investidor é sócio participante, assumindo risco empresarial direto.
  2. Previsibilidade de fluxo de caixa
    O P2P possui cronograma de pagamentos definido desde o início. Na SCP, os retornos dependem do sucesso do projeto.
  3. Transparência e acompanhamento
    Plataformas P2P fornecem dados contínuos sobre inadimplência, pagamentos e carteira. SCPs costumam ter relatórios menos padronizados.
  4. Tratamento em caso de inadimplência
    No P2P, existe cobrança, renegociação e, em último caso, execução do título. Na SCP, não há inadimplência formal, apenas insucesso do negócio.
  5. Alinhamento regulatório
    O P2P está diretamente conectado às diretrizes do Banco Central para crédito alternativo. SCPs não são instrumentos financeiros regulados como crédito.

Por que o P2P é melhor visto pelo Banco Central e mais seguro para o investidor

O Banco Central tem incentivado modelos que ampliem o crédito com transparência, competição e padronização de risco. Nesse contexto, o P2P cumpre um papel claro: ampliar o acesso ao crédito sem fragilizar o sistema financeiro.

Além disso, o P2P:

  • não mistura capital do investidor com o da plataforma,
  • utiliza instrumentos jurídicos reconhecidos,
  • permite mensuração objetiva de risco e retorno,
  • facilita supervisão indireta via dados e relatórios.

Enquanto SCPs frequentemente aparecem em notícias associadas a problemas de governança, conflitos societários e assimetria de informação, o P2P vem sendo citado como uma das formas mais organizadas de crédito alternativo no Brasil, inclusive em debates regulatórios e estudos sobre o futuro do sistema financeiro.

Rentabilidade alta faz sentido quando vem com método

Buscar retornos acima da média não significa abrir mão de segurança, mas entender como o risco é construído. Entre P2P que utiliza CCB e SCP, ambos acessam a economia real, mas apenas o primeiro combina rentabilidade elevada com previsibilidade jurídica, governança e alinhamento institucional.

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