
Com a Selic em dois dígitos há anos e os grandes bancos cada vez mais restritivos na concessão de crédito, pequenas e médias empresas brasileiras enfrentam um dos cenários mais desafiadores para conseguir capital de giro. É nesse contexto que a WMoney — fintech de peer-to-peer lending regulada pelo Banco Central — atua: conectando diretamente investidores pessoas físicas a empresas que precisam de crédito, com taxas mais competitivas do que as praticadas pelo mercado tradicional.
Neste episódio do Market Makers, Thiago Salomão conversa com Diego Camacho e Renato Pires sobre como funciona o modelo de P2P lending no Brasil, os bastidores da análise de crédito da WMoney e o impacto real do juro alto nas empresas menores do país.
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Diego e Renato explicam como sentem na pele, antes de qualquer dado oficial, os efeitos da Selic elevada sobre as empresas. Segundo eles, o movimento de pedidos de recuperação judicial não se restringe às grandes companhias que aparecem na mídia — empresas com faturamento entre R$ 1,5 milhão e R$ 4 milhões ao ano também estão recorrendo ao mecanismo como fôlego para sobreviver.
O modelo de P2P lending permite que pessoas físicas invistam em operações de crédito de empresas, tornando-se, na prática, o próprio banco. Com cotas a partir de R$ 250, qualquer investidor pode montar uma carteira diversificada com diferentes perfis de risco, prazos e taxas de retorno — tudo dentro do aplicativo da WMoney.
A empresa aprova apenas 1 empresa a cada 140 que solicitam empréstimo. Os critérios começam pelos "filtros duros" — faturamento mínimo de R$ 50 mil mensais, mais de um ano e meio de operação, CNPJ ativo — e evoluem para uma análise quantitativa com modelos estatísticos de credit score, cruzamento de dados bancários com balanços e integração com birôs de crédito. O processo de análise leva menos de um minuto.
Mas há também uma camada qualitativa: Renato, economista com passagem pelo Sebrae, realiza reuniões por vídeo com os empreendedores para avaliar o intangível que os números não capturam. O resultado: um índice over 90 de 4%, inferior ao de todos os grandes bancos privados do país, segundo dados do Banco Central.
Cerca de 60% das empresas aprovadas estão em momento de expansão — não tapando buraco, mas buscando crescimento acelerado. O ticket vai de R$ 20 mil para um churrasqueiro de rua até R$ 20 milhões para construtoras com garantia em terrenos em Alphaville. No total, a WMoney já movimentou mais de R$ 200 milhões em empréstimos e remunerou seus investidores em quase R$ 100 milhões.
Um dos pontos mais interessantes do episódio. Com juros elevados, o Tesouro Direto vira concorrente do P2P para o investidor, reduzindo a captação. Ao mesmo tempo, os bancos fecham a torneira para PMEs, aumentando a demanda por alternativas. Diego explica como a empresa navega esse trade-off e por que, no longo prazo, um cenário de Selic mais baixa seria melhor para o negócio.
A fintech, que já participou do Web Summit em Lisboa por duas edições consecutivas, está de olho em Portugal, Colômbia e Peru para expansão internacional. No Brasil, a empresa acaba de realizar uma aquisição estratégica — ainda não divulgada — para avançar na direção de atuar como instituição financeira de maior porte dentro da matriz regulatória do Banco Central.
Assista ao episódio completo e descubra como o peer-to-peer lending está mudando o acesso ao crédito para pequenas e médias empresas no Brasil.


